Aperitivos/Amuse-bouche · Coeur d'artichaud · Fusão/Fusion

Jantar de aniversário – Parte 1: l’apéro

Em 2013, depois de anos morando fora, calhou de fazer aniversário em casa de novo! E para não passar em branco, resolvi fazer um jantarzinho simples, coisinha pouca para dez convidados, só pelo prazer de comer bem e desfrutar boa companhia. Escolhi receitas fáceis, mas que surpeendessem o paladar. E deu certo! Apesar da chacota de Painho ao me ver inventar purê de couve-flor, raspou o potinho todo que eu vi!

A ideia era reunir os amigos para dançar vídeogame, comer gostosuras, bater resenha… uma festa do pijama de criança grande! Sans faire du midi à quatorze heures (sem procurar complicação desnecessária), não fiz nenhuma decoração suplementar porque a sala de visitas de Mainha já tem lindeza suficiente. O embelezamento ficou por conta das comidinhas coloridas e da mesa muito farta e muito bem arrumada.

Recepção agendada para as 19 horas e sem hora pra acabar, começamos com conversinha fiada em volta de deliciosos amuse-bouches e com o bar acessível aos convidados para inventarem os drinks que desejassem. E foi sob influência destes que brincamos um monte no Wii tentando repetir as coreografias de Michael Jackson para, mais tarde, compartilharmos uma boa raclette.

Assortiment d’amuse-bouches (seleção de tira-gostos):

Selecionei três petiscos práticos e muito gostosinhos servidos em forma de espetinho. Escolhi palitos de silicone coloridos e calculei duas unidades de cada quitute por convidado, sempre deixando uma reserva para os mais gourmands que quisessem repetir.

  • Salmão cru, maçã verde e bolinha de cream cheese com cebolinha acompanhado de shoyu (opcional);
  • Tomatinho cereja envolto em caramelo de vinagre balsâmico e gergelins branco e preto;
  •  Damasco com queijo branco em salmora e manjericão da horta.

Verrines (copinhos):

Para complementar o apéro escolhi duas verrines de textura aveludada, uma com fruta e outra com hortaliça.

  • Guacamole com camarão acompanhado de Doritos, um carinho especial para meu primo que adora;
  • Purê de couve-flor com cebola caramelada e crispy de coppa.

O desafio aqui foi apresentar comidinhas não muito esperadas em uma festinha de aniversário e brincar com associações de sabor que pudessem funcionar ante um grupo cujo gosto individual eu desconhecia. Ao invés dos salgadinhos tradicionais, quis servir aperitivos inspirados no que conheci vivendo na França e assistindo muito Un dîner presque parfait no canal M6.

O espetinho de salmão foi um sucesso unânime e era de se esperar, já que peixe cru com cream cheese evoca o sushi filadélfia e uma porção de shoyu servida à parte reforçou a lembrança da comida japonesa que a maioria de meus amigos aprecia. O toque da maçã  verde adicionou uma leve crocância e acidez no ponto certo.

Os tomatinhos foram inusitados e despertaram uma certa surpresa por estarem semicobertos com caramelo. Não é tão usual comermos essa fruta com açúcar, pois estamos mais habituados a prepará-la em saladas e associá-la ao salgado. Os convivas ficaram intrigados, mas, no geral, curtiram a descoberta.

O terceiro palitinho misturava o doce do damasco desidratado com o salgadinho do queijo e o frescor do manjericão recém-colhido. Eu adorei a associação, copiada de um vídeo da internet, mas sem o mel da receita original, já que o damasco me parece suficientemente doce. Arrisquei essa associação sem medo de ser feliz porque na terra do queijo com goiabada as chances desse quitute agradar a maioria eram grandes.

Guacamole é sempre um risco por causa do alho cru. Tem quem adora e tem quem não quer conversa. O atrativo desse guaca foram os camarões picados e um toque de tabasco. Nem todos experimentaram, mas quem gostou repetiu porque não sobrou nadinha. Para a apresentação coloquei dois chips em cada verrine, mas disponibilizei à parte o pacote de Doritos.

A segunda verrine, com o vélouté de couve-flor, foi uma experiência interessante. Painho me viu preparando o purê à tarde e achou a coisa mais estranha do mundo. Afinal, para ele, purê que é purê é de batata ou de aipim. De fato, algumas pessoas acharam insosso. Outras, porém, acharam delicado e elogiaram a associação com a cebola caramelada e o coppa crocante por cima.  Ao contrário dos espetinhos e do guacamole que estavam montados previamente, o purê foi empratado na hora de servir para ficar quentinho, mas os componentes feitos com antecedência foram essenciais para não passar perrengue no meio da festa.

Resumo da ópera, consegui deixar felizes os convidados e havia opções para todos os gostos. Pequena ressalva: considerando que o jantar era uma raclette, um prato mais calórico, penso que três aperitivos seriam suficientes. Mas o número de quitutes varia também em função da duração do evento e como jantamos depois das 22 horas e encerramos as atividades pelas duas da madrugada, o cálculo não foi de todo errado. No próximo post conto sobre a raclette e sobre como queijo é vida!

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