Mode d’emploi / Sobre o blog

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Em francês, chaud patate é toda situação com alguma complexidade, com desafios a transpor, uma batata quente para descascar. A expressão vem sendo usada em competições culinárias na França e se tornou bastante difundida através de reality shows de gastronomia do país. Quando adjetivamos como chaud patate uma pessoa, significa que ela está motivada para realizar algo, alcançar uma meta, se superar. Manter um blog bilíngue é um desafio e tanto. As traduções não são ao pé-da-letra, já que culturas culinárias distintas usam linguagens próprias e falam diferentemente com cada povo. Mas é aí que está a beleza da intercultura e da comunhão que sempre se pode fazer ao redor de uma mesa.

Em bom português, uma pessoa “chaud patate” é uma pessoa porreta que faz e acontece – e faz acontecer ! Miss Chaud Patate corta um dobrado mesmo pra concatenar e concentrar na hora da escrita as suas influências culinárias, suas referências técnicas de uma estante repleta de livros, sua visão política sobre alimentação e sua tendência a falar pra sempre se ninguém lhe der freio (sim, meus artigos são textões). A ilustração que encabeça esse blog (feita por Will Murai) é a Carmen Rocks, uma representação que para mim capta bem esse espírito. É também uma forma de homenagear minha vó Mira que performava como Carmen Miranda quando era jovem, solteira, livre, leve e solta e que foi uma das pessoas mais importantes a me ensinar que comida é afeto. Sou dessas cozinheiras que acreditam e praticam a doação através do alimento, daquelas que amam cozinhar e tocar as pessoas com isso.

Namoro com o slow food e com a agroecologia. Planto minhas PANCS na varanda do apartamento, mas discordo dessa nomenclatura porque o que pode ser não convencional ao mercado uniformizado e uniformizante pode – e é – muitíssimo convencional para culturas alimentares locais nesse Brasil tão vasto e rico em saberes e sabores. Sou porta-bandeira dos nossos ingredientes, fã incondicional da amburana e do umbu, do suco de cacau e do sorvete de jaca e das mil maneiras de se comer aipim, sobretudo a puba. Eu me derreto pela gastronomia francesa amanteigada e chiquetê, tanto quanto pela carne de sol, abóbora com quiabo e maxixe do meu sertão. Sou daquelas “belas, glutonas e do mundo” que curiosas esperam conseguir experimentar toda comida, toda cultura, toda minúcia e toda delícia, mas sem nunca deixar de ter tapioca e milho para cuscuz na despensa. 

Miss Chaud Patate é baiana, cidadã conquistense e do mundo, que viveu na França e agora mora em Porto Alegre até ir morar em outro lugar porque a vida é longa e a estrada comprida e nesse caminho ainda hei de ter um quintal cheio de pé de fruta como o que meus pais me proporcionaram e ensinaram que tem que ser. Meus artigos têm receitas, mas também conversa fiada, lembranças de comida afetiva, Câmara Cascudo e  história dos alimentos, da alimentação, de nós e de outros.

 

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On dit qui est CHAUD PATATE TOUTE SITUATION qui garde une certaine complexité et qui exige des efforts, tout défi à surmonter, toute patate chaude qu’on doit éplucher. J’ai connu cette expression à travers certains personnages des compétitions culinaires télévisées que l’utilisaient souvent pour qualifier les tâches à réaliser. Elle garde un je ne sais quoi de drôlerie, d’humeur et d’informalité, même si elle sert à désigner une situation pas tout à fait facile. Quand on affirme, d’autre coté, qu’une PERSONNE EST CHAUD PATATE, on parle plutôt de la réponse et de l’attitude qu’on doit avoir devant une situation qui est chaud patate. Cela signifie qu’elle est motivée et douée dans le but de vaincre la difficulté, de surmonter le défi qui joue donc un rôle stimulant. C’est exactement l’idée de ce blog bilingue qui s’approprie un peu des cuisines française et brésilienne et qui s’impose, au-delà des processus de construction et enregistrement des recettes, la tâche de traduire doublement les articles pour qu’ils parlent efficacement avec chaque culture. Ma philosophie culinaire envisage la beauté de l’interculturalité possible et du partage qui peut se faire toujours et n’importe où autour d’une table.

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